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Saúde mental no trabalho

O papel do conselheiro na promoção da segurança e saúde mental nas organizações

Segundo Amy Edmondson, professora de Liderança e Gestão na Harvard Business School e pioneira no conceito de segurança psicológica no trabalho, essa segurança pode ser definida como a crença compartilhada de que um ambiente de trabalho é seguro para a tomada de riscos interpessoais. Ou seja, em uma equipe ou organização com segurança psicológica, os colaboradores se sentem confortáveis para expressar suas ideias, levantar preocupações, fazer perguntas e admitir erros sem medo de julgamentos, punições ou represálias.

Amy Edmondson destaca que a segurança psicológica é essencial para a inovação, a aprendizagem e a resolução de problemas nas organizações, pois fomenta um espaço onde as pessoas podem ser autênticas e contribuir livremente. Ela enfatiza que, quando há segurança psicológica, os colaboradores entendem que o erro é uma oportunidade de aprendizado e que suas vozes são valorizadas, o que promove um ambiente de colaboração e confiança.

Simon Sinek, em seu livro Líderes se Servem por Último, descreve a segurança emocional como a sensação de proteção e apoio dentro de um grupo ou organização, onde as pessoas sabem que podem contar com seus líderes e colegas. Esse conceito está intimamente ligado ao que ele chama de “Círculo de Segurança”, uma ideia central do livro. Sinek argumenta que, quando as pessoas se sentem emocionalmente seguras, elas têm liberdade para se concentrar em seu trabalho e em contribuir para o sucesso da equipe, sem gastar energia se preocupando com ameaças internas, como medo de críticas, demissões ou sabotagem.

O tempo passa, novos acontecimentos como crises, pandemias, novas tecnologias, novas construções sociológicas e evolução das ciências médicas surgem, mas as necessidades humanas continuam as mesmas, como na velha e boa pirâmide de Maslow.

O psicólogo Abraham Maslow desenvolveu um modelo que organiza as necessidades humanas em uma hierarquia, da mais básica à mais complexa. Essa hierarquia propõe que as pessoas são motivadas a satisfazer suas necessidades em uma sequência, começando pelas mais fundamentais.

As necessidades básicas, alimentação, água, sono, abrigo, as necessidades de segurança física, emocional e financeira, as necessidades de pertencimento, amor e conexão com outras pessoas, as necessidades de estima, respeito, status, reconhecimento, as necessidades de desenvolvimento do próprio potencial, crescimento pessoal e realização de propósitos e sonhos, conversam muito com todas as teorias e autores contemporâneos, mostrando a importância do ambiente de trabalho como promotor ou detrator da satisfação dessas necessidades.

Desenvolver uma cultura de saúde e segurança emocional nas organizações é uma tarefa árdua, porém necessária. Requer dedicação e disponibilidade para retirar as teorias do papel e levar para prática. Promover essa cultura, além da contribuição social, traz uma vantagem competitiva para empresa: aumento da produtividade, redução de turnover, retenção de talentos, prevenção do burnout, são algumas delas.

Sabemos que qualquer formação ou transformação cultural dentro de uma organização precisa primeiramente ser absorvida e vivenciada pela alta gestão. Sendo assim, o conselho tem um papel fundamental na promoção da saúde emocional no ambiente de trabalho, servindo como liderança estratégica e guia na criação de uma cultura organizacional que valorize o bem-estar emocional dos colaboradores, atuando em diversas frentes, para garantir que essa cultura seja prioridade na empresa.

Cada conselheiro deve influenciar a criação de políticas que promovam o bem-estar emocional, incentivando os líderes a criarem um ambiente onde os colaboradores se sintam seguros para expressar ideias, levantar preocupações e admitir erros sem medo de julgamento. Isso inclui o apoio a treinamentos de liderança focados em empatia, escuta ativa e feedback construtivo.

O conselheiro pode apoiar programas de desenvolvimento que vão além das habilidades técnicas, incluindo o fortalecimento da inteligência emocional, resiliência e habilidades interpessoais. Esses programas podem ajudar os colaboradores a lidarem melhor com o estresse, desenvolver relacionamentos saudáveis no trabalho e sentir que estão crescendo e se desenvolvendo como indivíduos.

Para além disso, o próprio conselheiro deve atuar como um exemplo de liderança empática e acessível, ouvindo as preocupações dos colaboradores e mostrando-se comprometido com a promoção da saúde emocional. Sendo um modelo de comportamento e influenciando outros líderes e colaboradores a adotarem práticas mais saudáveis e colaborativas.

O conselheiro é um elemento essencial para criar e sustentar uma cultura de saúde emocional nas empresas. Com sua visão estratégica e seu compromisso com o desenvolvimento de uma cultura emocionalmente saudável, ele ajuda a construir um ambiente de trabalho mais seguro, onde as pessoas se sentem valorizadas, motivadas e apoiadas para crescer e se desenvolver plenamente, tornando-se um guardião dessa cultura.