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Empresas familiares

Governança corporativa em empresas familiares: como separar o cardápio do almoço de domingo da reunião de apresentação de resultados

Sempre que nasce uma empresa, nasce também um sonho de sucesso, de prosperidade e de perenidade. Na maioria das vezes a empresa nasce pequena, com limitações de investimento, mas com muita energia e motivação por parte do fundador. As tristezas e alegrias são compartilhadas entre família, a cada história de superação tanto a empresa quanto a família se fortalecem.

É comum que nesse início haja uma fusão de identidades, ou seja, a identidade pessoal é confundida com o negócio, a empresa se torna uma extensão do seu fundador, absorvendo seus valores, modo de se posicionar frente aos desafios e até estratégias de comunicação com o mercado. Quanto mais essa fusão existir mais demandará um trabalho de sucessão bem estruturado.

Com o passar do tempo a empresa se consolida, a família amadurece e os herdeiros começam a se interessar pelo negócio. A tendência natural é fazer com que esses herdeiros se preparem intelectualmente para assumir as posições de liderança dentro do negócio da família.

Quando menos se espera temos o fundador e seus filhos dividindo a gestão da empresa que até bem pouco tempo atrás era conduzida por um único dono. Os irmãos passam de uma convivência estritamente familiar para uma convivência que também será profissional, ou seja, se tornam sócios.

Nesse momento está aberto o período de conflitos e ajustes, pois além dos desafios comuns de qualquer organização, há dinâmicas familiares envolvidas que influenciam nas decisões e na gestão.

A falta de clareza na definição de papéis e responsabilidades, uma comunicação sem transparência, a tentativa de mudar uma cultura que já está enraizada, a dificuldade por parte do fundador em aceitar a inovação e as mudanças de mercado, equilibrando tradição e modernidade, são algumas das principais queixas de uma gestão familiar.

Nesse cenário, decisões estratégicas e de gestão podem ser influenciadas por fatores emocionais, comprometendo a objetividade e a eficiência. Conflitos pessoais entre membros da família podem escalar para disputas que afetam a saúde do negócio. Além disso, o favoritismo e a falta de meritocracia podem atrapalhar a eficiência dos colaboradores e impactar o ambiente de trabalho.

As empresas familiares enfrentam desafios únicos que podem dificultar a sua sustentabilidade e sucesso ao longo das gerações. Para mitigar esses desafios podemos desenvolver estratégias que vão desde um contrato societário a um planejamento sucessório.

Buscar ajuda externa para solucionar esses desafios é uma saída bem sensata. Atualmente existem diversos profissionais no mercado com paixão e foco em servir empresas familiares, atuando com o distanciamento necessário e se tornando guardiões desse CNPJ.

O apoio externo junto com o desejo dos membros da família em fortalecer o negócio e cumprir o propósito da organização conseguirá estruturar várias ações de governança e pactuar com os membros um modelo de gestão sólido e aderente aos valores e cultura da empresa.

A ajuda externa para o desenvolvimento de uma governança corporativa assegura que a empresa siga boas práticas de governança, promovendo a transparência, a ética e o compliance e continue seu desenvolvimento.

A transparência e o accountability são pilares fundamentais para a governança corporativa eficaz, especialmente em empresas familiares. A construção de um conselho consultivo pode desempenhar um papel crucial nesse sentido, atuando como um guardião da ética e da boa gestão.

Dentro de uma estrutura de empresa familiar o conselheiro desempenha um papel essencial, atuando como um guia estratégico e um parceiro de confiança. Sua função vai além da simples oferta de conselhos; ele se torna um facilitador de diálogos, um mediador de conflitos e um defensor dos interesses da empresa a longo prazo.

Apesar de todas essas prevenções e cuidados, os conflitos podem continuar. A combinação de laços familiares, emoções e interesses financeiros, muitas vezes divergentes, podem gerar tensões.

O equilíbrio entre as dinâmicas familiares e o compartilhar de uma sociedade entre membros dessa família é sem dúvida uma construção a ser feita com muita dedicação e com muita certeza do propósito dessa organização. Em alguns casos mais drásticos a escolha entre salvar o CNPJ ou o CPF terá que ser feita.

Fato curioso, e que deixa qualquer profissional com muitos questionamentos, é que aquilo que une uma família empresária é também aquilo que pode separá-la. O almoço de domingo nutre e estreita os laços fraternos. E são exatamente esses laços que causam os conflitos na segunda-feira.