O papel do RH na Governança Corporativa
Cada dia mais o RH estratégico tem sido considerado uma abordagem que visa contribuir para o alcance dos objetivos da organização e dos funcionários, através de um planejamento integrado com outros setores e com a estratégia de governança corporativa, tornando-se defensor da cultura e dos propósitos da organização. Para falarmos um pouco mais sobre o tema, primeiro vamos entender o que é governança corporativa. Tomaremos como base o Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa).
O que é governança corporativa?
Governança corporativa é um sistema formado por princípios, regras, estruturas e processos pelo qual as organizações são dirigidas e monitoradas, com vistas à geração de valor sustentável para a organização, para seus sócios e para a sociedade em geral. Esse sistema baliza a atuação dos agentes de governança e demais indivíduos de uma organização na busca pelo equilíbrio entre os interesses de todas as partes, contribuindo positivamente para a sociedade e para o meio ambiente.
Uma boa governança corporativa cria transparência nos processos e práticas da empresa, aumentando a confiança entre os acionistas, investidores, colaboradores, clientes e a sociedade em geral.
As empresas que seguem princípios sólidos de governança são vistas como mais éticas e confiáveis, o que fortalece sua marca e reputação no mercado.
Princípios da governança corporativa
- Integridade: praticar e promover o contínuo aprimoramento da cultura ética na organização, evitando decisões sob a influência de conflitos de interesses, mantendo a coerência entre discurso e ação e preservando a lealdade à organização e o cuidado com suas partes interessadas, com a sociedade em geral e com o meio ambiente.
- Equidade: tratar todos os sócios e demais partes interessadas de maneira justa, levando em consideração seus direitos, deveres, necessidades, interesses e expectativas, como indivíduos ou coletivamente. A equidade pressupõe uma abordagem diferenciada conforme as relações e demandas de cada parte interessada com a organização, motivada pelo senso de justiça, respeito, diversidade, inclusão, pluralismo e igualdade de direitos e oportunidades.
- Responsabilização (accountability): desempenhar suas funções com diligência, independência e com vistas à geração de valor sustentável no longo prazo, assumindo a responsabilidade pelas consequências de seus atos e omissões. Além disso, prestar contas de sua atuação de modo claro, conciso, compreensível e tempestivo, cientes de que suas decisões podem não apenas responsabilizá-los individualmente, como impactar a organização, suas partes interessadas e o meio ambiente.
- Transparência: disponibilizar, para as partes interessadas, informações verdadeiras, tempestivas, coerentes, claras e relevantes, sejam elas positivas ou negativas, e não apenas aquelas exigidas por leis ou regulamentos. Essas informações não devem restringir-se ao desempenho econômico-financeiro, contemplando também os fatores ambiental, social e de governança. A promoção da transparência favorece o desenvolvimento dos negócios e estimula um ambiente de confiança para o relacionamento de todas as partes interessadas.
- Sustentabilidade: zelar pela viabilidade econômico-financeira da organização, reduzir as externalidades negativas de seus negócios e operações, e aumentar as positivas, levando em consideração, no seu modelo de negócios, os diversos capitais (financeiro, manufaturado, intelectual, humano, social, natural, reputacional) no curto, médio e longo prazos. Nessa perspectiva, compreender que as organizações atuam em uma relação de interdependência com os ecossistemas social, econômico e ambiental, fortalecendo seu protagonismo e suas responsabilidades perante a sociedade.
Com base nos princípios da governança corporativa cada empresa desenvolve seu código de conduta ou código de ética, cujo objetivo principal é promover o propósito, os princípios e valores éticos; fomentar a transparência; disciplinar as relações internas e externas da organização; administrar conflitos de interesses; proteger o capital (patrimônio) físico e intelectual; e consolidar as boas práticas de gestão. A sua criação e o seu cumprimento elevam o nível de confiança na organização e melhoram sua imagem e reputação.
Onde o RH entra nessa história?
O papel do RH na governança corporativa é crucial para garantir que as práticas de gestão de pessoas estejam alinhadas com os princípios e diretrizes de governança da empresa. Ao apoiar uma cultura de ética, transparência e responsabilidade, o RH contribui para a sustentabilidade e a boa reputação da organização. Abaixo, estão os principais aspectos do papel do RH na governança corporativa:
- Promoção da cultura organizacional: o RH é responsável por fomentar uma cultura organizacional que valorize a ética, a transparência e a responsabilidade, e desenvolver e implementar códigos de conduta, políticas de ética e práticas que reforcem a importância dos princípios de governança entre os colaboradores.
- Desenvolvimento e retenção de lideranças éticas: o RH desempenha um papel importante na seleção, desenvolvimento e avaliação de lideranças que estejam alinhadas com a cultura, ética e os valores da empresa. Desenvolve programas para líderes que promovem comportamentos que reforcem a responsabilidade e o compromisso com a governança corporativa, garantindo que tomem decisões justas e transparentes.
- Criação e implementação de políticas e práticas de conformidade: o RH colabora na criação e na manutenção de políticas que estejam em conformidade com leis e regulamentações e desenvolve treinamentos sobre compliance, integridade e ética, assegurando que os colaboradores entendam e apliquem esses conceitos no dia a dia.
- Avaliação de desempenho e remuneração baseadas em valores de governança: o RH pode estruturar programas de remuneração e incentivos que reforcem a importância da governança, garantindo que o desempenho seja avaliado com base em métricas que vão além dos resultados financeiros, e desenvolver programas de incentivos que premiem a responsabilidade social, o respeito à diversidade e outras práticas sustentáveis que estão ligadas à governança.
- Gestão de riscos e compliance trabalhista: identificar e mitigar riscos relacionados a práticas de trabalho que possam comprometer a integridade e a reputação da organização, garantindo o cumprimento de normas trabalhistas e de políticas internas que reforçam a segurança e o bem-estar dos colaboradores, mantendo a empresa em conformidade com leis e regulamentações.
- Comunicação mais eficiente: profissionalizar a gestão interna também tem relação direta com a comunicação da empresa. Com diversos setores, lidando com diversas pessoas ao mesmo tempo, qualquer empreendimento precisa de transparência e boa comunicação. Num ambiente onde a gestão está pautada no profissionalismo e em processos bem definidos, a comunicação tende a fluir muito melhor.
O RH como área estratégica é responsável por alinhar a gestão de pessoas aos objetivos organizacionais, criando um ambiente de trabalho que promova a produtividade, o engajamento e o desenvolvimento dos colaboradores. Ao conectar pessoas, processos e valores, essa área se torna indispensável para implementar uma governança corporativa eficaz. Através de suas práticas estratégicas, essa área garante que os princípios da governança sejam vivenciados no dia a dia da organização, contribuindo para sua sustentabilidade, credibilidade e competitividade no mercado.
Portanto, é impensável o sucesso de um conselho, seja consultivo ou administrativo, sem a presença de um profissional com um olhar estratégico para pessoas.